Parece que levou muito tempo para a mídia e a população enxergarem o óbvio. Em um único dia, assistindo aos principais telejornais brasileiros, eu vi diversas reportagens sobre violência, sexualidade explícita, imprudência e preconceito permeando o mundo dos jovens no país.
São garotos de 16 anos agredindo gays com lâmpadas fluorescentes na Avenida Paulista, colégios onde os professores são agredidos por alunos, brincadeiras imprudentes como a que resultou na morte de um menino que caiu do corrimão da escada rolante de um shopping em Salvador. E ainda crimes cruéis, como o das meninas degoladas em Salvador por um grupo de traficantes.
Mas no meio de tudo isso eu vejo uma sociedade hipócrita que reage a situações como essa com espanto e ao mesmo tempo controle. As pessoas que se chocam com um crime e a violência gratuita, mas estimula o preconceito dentro de casa. Ou ainda o próprio jovem que com atitudes imprudentes paga o preço com a própria vida.
O que esperar do futuro para o Brasil com brasileiros comuns e acomodados, uma mídia passiva, que trata tudo com superficialidade, uma imparcialidade nos momentos em que a população, o espectador precisam de uma opinião, de um direcionamento.
Os casos acontecem e a impunidade faz o trabalho de apagá-los e enquanto isso, o tempo traz crimes e fatos mais graves, mais próximos de nossos lares aparentemente seguros, num tempo onde na verdade estamos ficando sempre vulneráveis e saímos nas ruas sem saber o que esperar na esquina, criando pânico em nossas cabeças e corações.
No Brasil da juventude, como dizem os políticos, aparentemente em desenvolvimento, o que se vê é uma parcela da sociedade considerada ativa, vivendo um período de desocupação ou uma ocupação tão precária que os direciona a atitudes e/ou atividades desnecessárias, prejudiciais, que não lhe agregam nenhum valor, trazendo enormes prejuízos.
O estímulo ao sexo, ao uso de drogas, um ritmo de vida desenfreada, sem limites, observada às vezes em casa ou estabelecida dentro das escolas, nas ruas, na internet ou nos “horrorshows” da TV.
Abuso da exposição do corpo e da sexualidade, a ditadura da perfeição, da beleza, a intolerância ao diferente, ao desconhecido, privando a juventude de experiências importantes e construtivas para sua formação como um adulto atuante dentro da comunidade onde vive.
Abuso da exposição do corpo e da sexualidade, a ditadura da perfeição, da beleza, a intolerância ao diferente, ao desconhecido, privando a juventude de experiências importantes e construtivas para sua formação como um adulto atuante dentro da comunidade onde vive.
O que se pode esperar dessa degradação dos jovens é um futuro cada vez mais preconceituoso, vazio e violento como o presente que vivemos agora. Não adianta querer parecer menos radical e fingir que essa realidade não nos cerca todos os dias.
O caro leitor pode aguardar mais notícias chocantes e revoltantes como essas no seu telejornal preferido. E não me compreendam mal, como alguém sem esperanças ou negativo, mas vejam essa postura apenas como um desabafo de um cidadão que precisa dizer o que pensa, porque a impressão que me dá é que ninguém está nos enxergando ou nos ouvindo.


2 comentários:
Concordo contigo! Contudo, em relação ao garoto do shopping, penso que este comportamento esta atribuido a educação.
Ainda menina (com 12 anos), ia pro shopping iguatemi com minhas amigas e nunca brinquei em corrimão de escada, meus pais sempre confiaram em mim a ponto de levar minha irmã mais nova também e nunca me comportar dessa forma.
Toda essa violencia em geral esta ligada a falta de educação e de conhecimento. Discriminação é uma forma de ignorancia, falta de conhecimento. Você não precisa ser igual a mim, para me respeitar. Como cidadã devo ser respeitada sempre, aliás é a consciência atrelado ao conhecimento que nos diferencia dos animais. No entanto, o ser humano esta se comportando pior do que os ditos animais..
Concordo plenamente. No caso das meninas decaptadas, o mais revoltante é a frieza e a crueldade dos responsáveis pelo ato, ao dizer "ELAS TIRARAM ONDA COM A MINHA CARA". O que mais parece realmente, é que estamos aprisionados em um mundo, que a cada vez mais vai ficando violento a ponto de não nos sentirmos seguros dentro da nossa própria casa. E de quem é a culpa disso tudo ?
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