Contador Grátis

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O Bispo, a Lei Rouanet e os homossexuais...

Ontem estava assistindo o Programa do Jô e o seu primeiro entrevistado foi o Bispo da Igreja Universal e Senador pelo Estado do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.
Bem, o principal motivo da presença do Senador/Bispo no programa, foi devido à alteração, proposta pelo mesmo, quanto a Lei Rouanet – Lei Federal de Incentivo a Cultura que foi concebida em 1991 com o objetivo de apoiar investimentos na área da Cultura em todo país.
Questionado incessantemente pelo apresentador Jô Soares, Crivella não parecia sustentar uma defesa concreta para sua intenção de acrescentar à lei, o termo, “templos religiosos” de forma que estes fossem contemplados por ela.
Jô mostrando-se contra essa proposta, ainda exibiu depoimentos de dois grandes nomes do teatro brasileiro, Juca de Oliveira e Bibi Ferreira, está que apenas resumiu sua indignação com uma frase “Isso é um absurdo!”.
Contudo, a entrevista não se ateve apenas a questionamentos quanto a Lei Rouanet, mas passeou entre umas e outras alfinetadas do apresentador, quanto à vida religiosa do bispo e seu parentesco com nomes fortes do mundo evangélico como o Bispo Edir Macedo, presidente da Igreja Universal do Reino de Deus, e o Bispo R R Soares Presidente da Igreja Internacional da Graça de Deus.
Foi pauta desta entrevista também mais um tema polêmico, a lei contra a homofobia que circula atualmente no Congresso. Para Marcelo Crivella a lei é simplesmente inaceitável, segundo o Senador/Bispo isso impedirá qualquer manifestação contra os gays e complicaria ações contra funcionários homossexuais dentro de uma empresa e até pregações religiosas, visto que qualquer manifestação contra os gays seria considerada crime de homofobia.
Jô ainda questionou Crivella, enquanto bispo da Igreja Universal, se ele considerava a homossexualidade uma doença ou um pecado? Novamente o Bispo, como bom político, fugiu pela tangente e deu respostas vagas.
No Brasil, qualquer tipo de descriminação por cor, crença ou sexo é considerada um crime e a Constituição de 1988 já garante isso, porém existem leis de apoio restrito a negros, mulheres, crianças e adolescentes, logo, porque negar isso aos homossexuais? Nenhuma dessas leis e estatutos impediram que as coisas caminhassem bem em empresas, famílias e na sociedade como um todo, então porque o medo do Senador? Ou seria do Bispo?
Provavelmente os líderes evangélicos de modo geral pretendem tirar seu pedaço da Lei Rouanet, apesar do Senador tentar esclarecer que se refere a templos tombados pelo patrimônio histórico e cultural, no caso, de maioria católica – lembrando que Igrejas católicas históricas, já são consideradas centros culturais e parte da história do Brasil, pela Lei Rouanet.
No quesito, Lei Anti-homofobia, o Bispo Crivella, quer dar um passo para trás e ajudar a permear essa hipocrisia nacional que admite crianças arrastadas em plena às ruas do Rio de Janeiro – Estado onde ele, Marcelo Crivella foi eleito – que pacientes morrem nos corredores de hospitais públicos, onde os médicos escolhem quem deve ser atendido, em detrimento a vida de outros pacientes, pois não tem condições de atender a todos, onde fingimos que não há preconceito e alguns tentam burlar a oportunidade de uma classe, que luta pelos seus direitos, de poder apenas mostrar sua cara.

0 comentários:

 
2009 Template Scrap Rústico|Templates e Acessórios